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16/09/2020 | 08:40 | Saúde

Nova fase de estudo da UFPel mostra desaceleração da pandemia no país

Para a realização da pesquisa, foram ouvidas 33.250 pessoas em 133 cidades

Reprodução/Internet


A pandemia de coronavírus está desacelerando no Brasil. É o que mostra o resultado da quarta fase do estudo epidemiológico sobre a covid-19 no país coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Foram ouvidas 33.250 pessoas em 133 municípios brasileiros entre 27 e 30 de agosto, pouco mais de dois meses após a conclusão da terceira fase. 


Essa etapa é a primeira financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Todos Pela Saúde, já que o Ministério da Saúde decidiu não bancar mais o estudo. A UFPel já havia realizado oito etapas da pesquisa de prevalência do vírus na população gaúcha.


Os dados indicam que 1,4% dos entrevistados tiveram contato com o coronavírus. Na fase 3, eram 3,8%. As diferenças entre regiões do Brasil seguiram marcantes, como já havia sido observado nas fases anteriores. O maior percentual de infecção foi registrado nas regiões Norte (2,4%) e Nordeste (1,9%). No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, ficou em 0,5%. Das oito cidades gaúchas escolhidas, Porto Alegre aparece com o maior indicador, 1,6%, seguida de Ijuí e Santa Maria (0,8%), Caxias do Sul, Passo Fundo e Pelotas (0,4%) e Santa Cruz e Uruguaiana (0%).


Reitor da UFPel e coordenador do estudo, Pedro Hallal destaca que a distribuição etária dos casos apresentou mudança:


— Nas três primeiras fases, nós vimos uma concentração de casos entre os adultos jovens, especialmente aqueles em idade produtiva que trabalham fora. E agora, talvez porque esses adultos já se infectaram mais, aumentou a proporção de infectados entre os idosos e as crianças. Isso é preocupante, especialmente por causa dos idosos, porque os quadros tendem a ser um pouco mais graves.


Hallal também observa a diferença de infectados nos níveis socioeconômicos.


— As pessoas mais pobres têm o dobro do risco de infecção na comparação com as mais ricas. Esse resultado é particularmente preocupante porque são os grupos mais vulneráveis da população — afirma.


Para Paulo Petry, doutor em epidemiologia e professor da Universidade Federal do RS (UFRGS), observa que as diferenças regionais ficaram acentuadas na pesquisa:


— O Brasil, como um país continental, tem muitas diferenças regionais. Os tempos da pandemia também ocorreram de forma diferente conforme a região. Mas se acentua o que já se vinha observando anteriormente, o maior impacto da pandemia no Norte e Nordeste e menor no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.


Constatações da pesquisa


* Diminuiu a proporção da população que apresenta anticorpos. Como a presença de anticorpos é o índice que mostra se a pessoa já teve contato com o vírus, uma     diminuição neste percentual demonstra que o contágio pelo coronavírus desacelerou no Brasil


* A queda em níveis de anticorpos ao longo do tempo não indica que os indivíduos deixem de estar protegidos, pois seus organismos guardam a memória imunológica para   produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção


* A interiorização da pandemia no Brasil foi confirmada


  Houve mudança no perfil das cidades mais afetadas, com as maiores prevalências em duas cidades do Nordeste, Juazeiro do Norte e Sobral


* Houve mudança no padrão etário dos infectados entre junho e agosto. Agora, a pandemia cresceu mais nas crianças e nos idosos e caiu entre adultos, que inicialmente   eram mais afetados


* Pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população, em todas as fases do estudo, apresentam prevalência mais de duas vezes superior à   observada entre os 20% mais ricos

Fonte: Gaúcha ZH

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