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11/05/2020 | 09:48 | Esporte

Técnico de futebol entrou em programa do governo: ''Vamos adiar algumas contas, mas não pode faltar comida''

Treinador precisou readequar gastos e espera que oportunidades voltem após a pandemia

Fabiano Borba dedica-se aos estudos durante a quarentena - Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal


É o começo da carreira de Fabiano Borba, 42 anos. Depois de jogar, e se lesionar no futebol amador, começou a vida de treinador ainda na várzea. Disputou Estadual de Amadores e foi crescendo até receber chance entre os profissionais. Era no Tupi, de Crissiumal, que imaginava dar o salto para um novo patamar. Montou um time dentro da realidade e subiu o mapa. Sua equipe, depois de três rodadas na Divisão de Acesso, dava resposta próxima ao que gostaria. O clube pagava em dia e garantia condições de trabalho. E tudo parou.


Sem ter o que fazer na pequena cidade, voltou para Porto Alegre. Pai de duas meninas e um menino, precisou entrar no sistema de auxílio do governo após ter seu contrato suspenso, em comum acordo com a direção. Como é o normal no futebol, dividiu seus vencimentos entre o valor da carteira e o direito de imagem. A verba federal supre apenas a primeira parte, o que significa que sua renda mensal cairá quase 60%. Borba lembra:


– O que me deu um fôlego foi a rescisão que o Gaúcho de Passo Fundo me pagou. Faço questão de frisar isso, o clube foi corretíssimo comigo.


Para 2020, imagina receber 30% do que projetou para o ano. E já faz planos financeiros para garantir ao menos a alimentação:


– Se precisar, algumas contas vão ficar para trás, que renegociarei depois. Não pode é faltar comida.


A esperança da renegociação é a de que seu trabalho lhe possibilitará vencer quando o futebol voltar. O sonho de se firmar nas casamatas é alimentado com estudos diários, vídeos, conversas. Criou um grupo de WhatsApp com outros treinadores e ali trocam ideias. 


Foi num desses diálogos que saiu a postagem na rede social de Cristian Souza, técnico do Veranópolis: "A entidade que mais fatura (referindo-se à CBF) precisa ajudar os menores clubes, os sem série, são os que mais empregam no país, na sua esmagadora maioria jogadores e funcionários que passam a maior parte do ano sem emprego", escreveu.


Esse auxílio é visto como fundamental para salvar os clubes e manter os postos de trabalho para profissionais como Fabiano:


– Tinha  planos de fazer uma Divisão de Acesso boa e depois me realocar no mercado. É o que tinha acontecido até hoje. Espero que essa chance exista quando acabar a pandemia.

Fonte: Gaúcha ZH

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